O Brasil tem polos tecnológicos reais. O gargalo é transformar ativos fortes em sistemas que criam, escalam e retêm mais valor no território.
A régua global mudou em 2025. A WIPO passou a combinar publicações científicas, pedidos internacionais de patente e localização de negócios de venture capital. Nessa métrica, Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou assumiu a liderança mundial, seguida de Tokyo–Yokohama, San Jose–San Francisco, Beijing e Seoul. A mudança é substantiva: potência tecnológica não é só ciência ou patente; inclui a capacidade de transformar conhecimento em empresas e capital de crescimento.
Os líderes também vencem de maneiras diferentes. Tokyo–Yokohama respondeu por cerca de 10% dos pedidos PCT publicados entre 2021 e 2025; Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou por pouco mais de 9%; Seoul por 5,6%; Beijing por 4,1%; e San Jose–San Francisco por 3,8%. No venture capital, San Jose–San Francisco é a referência mais intensa. Na produção científica, Beijing aparece entre os polos de maior escala. O “recorde” é, portanto, uma combinação de engrenagens, não uma receita única.
Nos cinco territórios brasileiros monitorados, as especializações são claras. Campinas concentra ciência, engenharia e uma rede empresarial originada da Unicamp; Florianópolis tem densidade excepcional de empresas de software; Recife alcançou escala empresarial e de emprego no Porto Digital; Manaus dispõe de indústria e de uma fonte recorrente de PD&I; Brasília combina demanda pública, governo digital e uma agenda emergente de IA. Nenhum deles precisa copiar Shenzhen. Todos precisam demonstrar melhor o caminho entre conhecimento, produto, empresa escalada, fornecedor, propriedade intelectual e receita externa.
Por isso, esta rodada deixa de publicar um “BR 1, BR 2, BR 3”. As notas históricas permanecem registradas no quadro geral, mas a súmula atual passa a mostrar marcas por capacidade. Medalhas só serão homologadas quando os grupos de pares, as regras de normalização e as linhas de base estiverem fechados.